Setembro/2019 | Ano X – Edição 123 – PIAF E BRECHT – A VIDA EM VERMELHO

PIAF E BRECHT – A VIDA EM VERMELHO

Com Letícia Sabatella, Fernando Alves Pinto e 3 Músicos no Imperator

Flavia Canavarro 2 red

“PIAF E BRECHT – A Vida em Vermelho” estreia, para uma curtíssima temporada, no dia 19 de setembro, quinta-feira, no Méier. O musical de Aimar Labaki, dirigido por Bruno Perillo, lotou, durante 6 semanas, o Teatro Prudential. Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto são Edith e Bertold, versões de Edith Piaf (1915-63) e de Bertolt Brecht (1898-1956). Não é uma biografia, os atores fazem uma dupla clownesca, que interpreta o cancioneiro do dramaturgo e diretor alemão (como “Balada de Mackie Messer”, da “Ópera dos Três Vinténs”) e da cantora francesa (“Padam, Padam”, “Milord”), num palco que mescla referências ao cabaré franco germânico. Com muito bom humor, a dupla propõe uma espécie de competição musical. “Eles tentam defender o personagem de que gostam mais e acabam mostrando um contraponto entre o racional de Brecht e o emocional de Piaf. O repertório deles é muito formador”, diz Sabatella. “Bertold Brecht é infinito e provocou mudanças na cultura mundial”, ressalta Fernando. Os atores são acompanhados por 3 músicos: Giba Favery – bateria/percussão, Bruno Monteiro – piano e Zéli Silva – contrabaixo acústico. A produção do espetáculo, no Rio, é da Gávea Filmes.

 Flavia Canavarro 9 red

Piaf e Brecht nunca estiveram juntos na vida real. Esse encontro foi imaginado por Aimar Labaki que, com isso, provocou um embate entre duas personalidades com ideias completamente distintas. Aimar contesta o imaginário popular das figuras de Bertolt Brecht e Edith Piaf. “A gente tem a ideia do Brecht politizado e da Piaf romântica. Mas eles não cabem nessa caricatura”, destaca Labaki. Na ficção, os dois se encontram num cabaret e ensaiam um espetáculo. Ele coloca o homem em xeque. Ela expõe a própria alma. “Edith Piaf tem um modo próprio de cantar, com toda lapidação, ela preserva a voz rascante, a voz vivida. Fico muito comovida de receber, em cena, essa entidade, essa força que é Piaf. Ela é uma voz que vem do lugar mais vital, mais visceral, como uma Elza Soares, como uma Elis Regina. Entrar em uma força dramática que é ser uma Piaf, me interessa muito. O lugar da voz também, porque é um lugar de muita força, de muita emoção. Piaf faz tudo com muita verdade. Ela é um ícone”, destaca Sabatella.

O encontro é usado para evocar uma série de temas importantes para o Brasil e para o mundo contemporâneo. Leticia Sabatella e Fernando Alves Pinto interpretam os personagens títulos e outros personagens que vão invadindo a ação. Mais do que competir pelo título de melhor cancioneiro, os dois disputam pelo melhor modo de vida. Ao longo da encenação, esses dois universos mostram que podem coexistir. “O conflito de ideias entre Piaf e Brecht, simboliza a intolerância e dificuldade de aceitação de ideias diferentes, não só no Brasil, mas no mundo. A dificuldade de aceitar qualquer pensamento que seja diferente. Como construir um coletivo de pessoas e ideias que possam habitar uma cidade, um país, com diferenças, mas num ambiente harmônico, da melhor forma”, destaca o diretor Bruno Perillo.

“Estar apta pra fazer Piaf é olhar para uma trajetória de estudo, preparação, formação, afinação do instrumento corporal e vocal. Valeu ter estudado e me esforçado tanto para ter capacidade de encarar, hoje, uma Piaf no palco”. Aos 8 anos de idade, Leticia Sabatella fazia ballet e se apresentava no Teatro Guaíra, em Curitiba, participando de algumas montagens como o Quebra–Nozes e O Grande Circo Místico. Com 14 anos começou a fazer teatro, num grupo chamado Alma Nua. Depois fez faculdade de teatro e participou do coral sinfônico do Paraná. “Minha vida e formação foi muito dentro do Teatro Guaíra. Mas também fazia parte de grupos, eu tinha um coro cênico e uma banda chamada Tuba Intimista. Também aprendi a cantar com a minha mãe, minha avó, meu pai, minha tia”, descreve Letícia, que este ano completa 40 anos de trajetória artística.

MÚSICAS

1.    Padam, Padam

2.    Canção do Rio Moldau

3.    Piaf canta Je m’em fous pas mal

4.    Bilbao Song

5.    La Java Bleue

6.    La Foule

7.    Goulante du Pauvre Jean

8.    Paris

9.    My Ship

10. Jenny e os piratas

11. Balada da dependência sexual

12. Mac the Knife

13. Hino ao Amor

14. La Vie en Rose

15. Millord

16. Non, Je ne Regrette Rien

17. A Quoi Ça Sert L’amour

18. Alabama Song

 

SERVIÇO
Data: 19 a 21 e 27 a 29 de setembro de 2019

Primeira semana: quinta a sábado

Segunda semana: sexta a domingo

Horário: Quinta e sexta às 20h / Sábado às 17h e 20h / Domingo às 17h

Local: Teatro Imperator

Endereço: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier, Rio de Janeiro – RJ

Telefone: 2597-3897

Ingresso:

Plateia Inferior – R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

Balcão – R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)

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