Setembro |2017| Ano VII – Edição 99 – 21 de Setembro – Dia da Árvore


21 de setembro – Dia da Árvore

arvore-homeNo Brasil, o Dia da Árvore é comemorado em 21 de setembro em função da véspera da primavera. É nesta estação que as arvores ficam repletas de folhas verdes é, em muitas delas, surgem lindas flores, em tempos de calor extremo esta data passa a ser de muita importância para conscientizar a população a cuidar das árvores, que melhoram a qualidade do ar, pois diminui a poluição; serve de moradia para diversas espécies de pássaros; as frutíferas fornecem alimentos para os seres humanos e diversas espécies animais;  proporcionam sombra e favorece a redução da temperatura em praças parque etc; melhora a umidade do ar, importante nos dias secos; evitam a erosão do solo; além de deixarem a paisagem mais belas.

Escrevi uma prosa poética “A Árvore Urbana”, que compartilho com os leitores do jornal novidades para refletir sobre a importância desse ser vivo para o nosso planeta.

 A Árvore Urbana

Olho pela a janela e a vista da Praça da Bandeira me faz esquecer por alguns instantes que estou na cidade maravilhosa. Elevados, passarelas, engarrafamentos e muito, muito concreto. É uma visão do caos urbano. Prédios pichados, ônibus, que passam lotados levando os pobres trabalhadores, que ainda demoraram uma hora ou mais para chegar em casa. Ao fundo ouço um Ave-Maria, acho que são seis horas. A vida segue seu curso enquanto o meu coração observa e se comove com aquela gente.

Sinto-me como uma árvore que vejo daqui. O vento balança seus galhos enquanto meu pensamento voa como suas folhas. O céu está nublado e ela deve estar para que a chuva caia. Suas folhas perderam o viço.

Estão empoeirada por causa da poluição talvez a chuva seja a única forma de atenção, carinho e cuidado que recebe.   Estranhamente começo a me identificar com ela. O viço que perdi foi o da juventude e me sinto tão distante deste mundo real e empoeirado pelas maldades. Ao contrario da árvore, entretanto, prefiro um carinho dos raios do sol no meu rosto. Há muito que a chuva me entristece.

Não sei de que espécie é; não parece dar frutos, como eu. Parece que quer me dizer alguma coisa eu a entendo. Parece tão forte, mais as suas folhas não resistem ao vento. Parece querer movimenta-se, mais não pode. Ergue-se frondosa, exuberante e todos que passam nem a percebem nem a percebem. Tão grande, imponente, linda, e ao mesmo tempo tão invisível para o homem urbano. A correria da cidade grande esqueceu a beleza da natureza. É a corrida pelo dinheiro. E a árvore estará sempre ali, todos os dias, oferecendo a sua sombra sem pedir nada em troca. E quanto a mim? Que sombra poderia eu oferecer? Gostaria de poder fazer algumas coisas por aquela gente, mais não tenho poder para isso. Talvez as minhas palavras de denúncia? Será que é feliz espremida entre a linha do metrô e a passarela? Gostaria de conhecer novos horizontes? Todos os dias para ela serão iguais? Começo a sentir pena da árvore e vontade de tocá-la. Ou será que sinto pena de mim? Quero dizer-lhe que eu a percebo, admiro e quero protegê-la, mas é impossível chegar lá. De alguma forma nós comunicamos através da Ave-Maria. A canção e a árvore urbana são duas obras de arte. Tão lindas e tristes ao mesmo tempo.

 

Solange Diniz é Jornalista, escritora e poetisa.
Autora do Livro ‘‘Palavras do Coração’’, obra que deu origem
ao espetáculo de teatro ‘‘Desalinhos do Amor’’.
Membro de Academias de letras e Artes do Brasil e do Exterior

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