Março | 2018 | Ano IX – Edição 105 – JORNAL DO BRASIL VOLTA ÀS BANCAS

JORNAL DO BRASIL VOLTA ÀS BANCAS

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Recebi uma mensagem por whatsapp dizendo que o Jornal do Brasil votaria às bancas no dia 25 de fevereiro. Como já estou muito desconfiada de tantas notícias falsas, que se espalham pelas redes sociais não acreditei muito. Além disso, dizia que o JB havia feito uma parceria para rodar no INFOGLOBO. Informação no mínimo contraditória com a positiva carga história do tão saudoso JB. Mas, como a informação foi divulgada por um ex-professor resolvi ir à banca no domingo para conferir. Lá estava o querido JB em sua versão impressa em formato standard.Sem título

Como há muitos anos não fazia tomei meu café da manhã de domingo, com pãozinho quentinho lendo o JB. Foi uma deliciosa e nostálgica manhã. O JB fazia parte da leitura da minha família nos cafés da manhã. Cada um pegava um caderno, com as suas preferências editoriais e depois íamos trocando. Enquanto líamos alguém dizia: “Já terminou o Caderno B?”. Também disputá- vamos a leitura da revista de programa do JB. As informações contidas no JB tinham o selo de credibilidade, de uma imprensa com seu papel fiscalizador, liberdade de expressão, papéis fundamentais para uma sociedade democrática. Era nesse Jornalismo que eu acreditava, por esses ideais que escolhi essa profissão.

Quando o JB impresso parou de circular todos ficamos órfãos deste importante veículo de comunicação. No início tentei acompanhar as informações on-line, mas confesso que ler na tela me cansa demais a visão. Tenho que usar colírios para ficar horas ao computador trabalhando. Além disso, estou sempre com tendinites e dores nas costas por causa trabalho com notebook. Então, na hora de relaxar para uma boa leitura não dá para ser na tela. Não é a mesma coisa a leitura no concreto papel companheiro de todas as manhãs. Outro dia um jovem disse-me que é de uma geração que não lê em papel. Confesso que senti pena dele. Primeiro porque é uma inverdade. Minha sobrinha de oito anos adora livros, cadernos de atividades etc. Os livros infantis são tão lindos, repletos de imagens em alto relevo, que convidam a viajar na história. Na escola ela ainda usa os livros no concreto papel. Mas, a pena que senti foi de uma juventude de leituras rasas de internet e redes sociais. É muito preocupante a formação crítica desses jovens. Disseram também que os livros iriam acabar, mas ao contrário em 2017 a venda de livros cresceu 6% no Brasil.

A internet sem dúvidas é uma ferramenta poderosa. Mas, vejo com muita preocupação a disseminação de notícias falsas (fake news), que são difundidas nas redes sociais por perfis muitas vezes também falsos. A novela “Malhação” abordou o tema. Na trama a direção de uma nova escola particular espalha fake news sobre a qualidade da escola pública Cora Coralina, a fim de atrair os alunos para estudarem na escola particular de qualidade duvidosa. Um importante alerta principalmente para os jovens que são os maiores consumidores das informações através das redes sociais.

Com o aparecimento do Facebook todos sentiram-se com um microfone aberto dando seus depoimentos e versões nas suas páginas. Passamos a viver em um mundo sob o risco de uma banalização dos conhecimentos, bombardeados de informações pouco relevantes. Além, de muitos discursos de ódio de pessoas que se valem de páginas falsas para discriminar, praticar bullying etc.

Na contramão das redes sociais, num momento em que os cidadãos são cada vez mais bombardeados por uma enxurrada de notícias rasas, recheadas de parcialidade e fake news, que o JB impresso volta com seu histórico de Jornalismo responsável e de credibilidade. Um convite às análises dos fatos mais profundas, a um novo olhar sobre a informação e liberdade de expressão. Vamos acompanhar a linha editorial do JB.

Solange Diniz é Jornalista, escritora e poetisa.
Autora do Livro ‘‘Palavras do Coração’’,
obra que deu origem ao espetáculo de teatro ‘‘Desalinhos do Amor’’.
Membro de Academias de letras e Artes do Brasil e do Exterior

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