Julho | 2015 Ano VI – Edição 73 – Por tudo que não vivemos

solange-diniz

Por tudo que não vivemos

Acendo a luz do abajur, coloco uma música para tocar,
Me jogo no sofá, fecho os olhos, para tentar nos meus sonhos te reencontrar.
Acaricio cada doce segundo na tua companhia.
Ensaio um sorriso quando lembro-me das tuas brincadeiras,

de tantas gargalhadas e do delicioso queijo com goiabada.
Transporto-me no tempo, invado as minhas memórias a te procurar.
Mas, sinto uma ausência implacável me atropelar.
A distância que nos separa deixa-me com medo da tua imagem apagar.
Fito as poucas fotos que tivemos tempo de tirar.
Toco-as na tentativa vã de te tocar e muito carinho te dar.
Viajo na minha alma para que ela encontre a tua.
Não quero te esquecer…
Um grito me sufoca por todas as palavras não ditas,
Por todas as juras que me censurei, mas queria tanto te falar.
Uma lágrima teimosa resolve me escapar.
Mas, não quero chorar.
Sei que é do meu sorriso que você quer lembrar.
Não consigo controlar e me entrego ao pranto por tudo que não vivemos.
É a primeira vez que me permito chorar desde que você partiu.
Não quero que tudo que vivemos tenha sido mais um dos

meus sonhos românticos e que fique apenas nas minhas mais doces lembranças.
Arrependo-me de não ter me jogado deste penhasco.
A vida já me machucou muito e sem reservas não posso mais me lançar.
Meu coração está cheio de cicatrizes e tento a todo tempo protegê-lo.
Mas, você me pegou desarmada…
Nos meus conflitos: razão e emoção, mais uma vez não me permiti.
Agora, choro por tudo que não vivemos.
E vivo na esperança de em algum lugar no mundo

te reencontrar, te abraçar, te beijar, te amar.

Solange Diniz

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