Junho | 2014 Ano V – Edição 60 – Palavras do Coração

Solange DinizJornal_Novidades_Jun2014-palavrasdocoracao

O Sol e o Pássaro

O Sol e o Pássaro encontraram-se, encantaram-se, admiraram-se e apaixonaram-se. O Pássaro achou que o Astro Rei fosse inatingível e o Sol teve medo do modo livre de viver do Pássaro.  Mas, quando o Sol se apagava e a noite caía o Pássaro ficava triste, cheio de melancolia. O Pássaro conquistou o Sol com seu canto matutino, com suas piruetas no ar e seu jeito de amar. O Sol, como uma nota musical, fazia o pobre coração do Pássaro disparar de alegria e todos os dias passaram a ser iluminados para o triste Pássaro.

O Sol era despertado com o canto doce e amável do Pássaro, que o encantava mais e mais a cada dia. Nenhuma missão para o Pássaro passou a ser mais importante que alcançar o coração do Sol.

O Sol não resistiu aos encantos do Pássaro que o elogiava e o idolatrava a todo instante com suas serenatas e declarações ao belo dia. O Pássaro observava, admirava a beleza e a exuberância do Sol.

O Sol temia a chegada da noite, quando não poderia mais contemplar o voo e o canto suave do Pássaro. À noite o Pássaro torcia para que chegasse um novo dia e o raio de luz do maravilhoso Sol voltasse a iluminar a sua vida.

O Pássaro se confessou apaixonado e revelou todo seu amor ao seu Raio de Luz. Quando o Sol se apagava o Pássaro levava o calor daquele dia no seu pensamento e no seu coração. O Pássaro fazia de tudo para manter aquela chama acesa. O que fosse possível: voar para alcançar as estrelas ou mergulhar no oceano mais profundo. Mas, aquele amor parecia platônico e impossível. Seus mundos eram tão diferentes, incompatíveis. Mas, de amor o Sol ardia, enquanto o Pássaro traçava o céu errante para lhe dar bom dia. O Sol passou a ser o maior tesouro para o Pássaro, seu anjo, sua vida. O brilho do Sol, entretanto, ofuscava o pobre Pássaro que se retraía. Mas, imediatamente se enchia de coragem porque queria ser feliz. O Pássaro tentava voar bem alto, mas não conseguia alcançar o Sol e nem olhar para o Sol podia. O Sol mesmo com seus poderosos e calorosos raios não podia tocar o Pássaro. Perceberam que o que sentiam era utopia, apenas fantasia. O Sol então continuou belo, imponente, porém sozinho. O Pássaro mesmo temendo que o seu Raio de Luz não iluminasse mais os seus dias resolveu seguir seu caminho, distante e frio. Mas, guardaram para sempre o encanto, a magia e a lembrança daqueles iluminados dias.

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