Junho | 2014 Ano V – Edição 60 – Hospital Pasteur: Alergia alimentar ao leite de vaca e intolerância à lactose. Qual a diferença?

Jornal_Novidades_Jun2014-hospitalpasteurAlergia alimentar ao leite de vaca e intolerância à lactose. Qual a diferença?

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, as alergias alimentares acometem de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade e de 2% a 3% dos adultos no país. O dado aponta ainda para uma outra realidade: a de que cada vez mais pessoas sofrem de algum tipo de alergia alimentar ao leite de vaca ou intolerância à lactose.

A supervisora da área de nutrição do Hospital Pasteur, Amanda Andrade, informa que é importante destacar que existem diferenças entre alergia e intolerância. Além disso, a especialista indica que tem sido muito frequente a inserção precoce do leite de vaca na alimentação de bebês com menos de um ano de vida, mas que a prática não é indicada. “Tal fato pode desencadear uma alergia alimentar e problemas futuros, pois os bebês menores de um ano ainda não apresentam organismo maduro o suficiente para receber esse tipo de alimento. O leite materno é o melhor alimento para bebês até o 6º mês de vida, sendo também recomendado como leite de escolha do 6º mês até o 1º ano de vida, junto à alimentação complementar”, explica.

A nutricionista informa ainda que a intolerância à lactose é um problema causado pela deficiência ou falta da enzima intestinal lactase, responsável por digerir o açúcar do leite, e que as causas podem ser primárias (em consequência do avanço da idade – quando, naturalmente, ocorre a diminuição na produção da enzima), por motivo congênito ou secundárias. “Devido à deficiência ou falta dessa enzima, o açúcar do leite não é digerido corretamente e passa por um processo de fermentação no intestino, transformando-se em alimento para micro-organismos encontrados na flora intestinal”, esclarece Amanda Andrade.

 

Alergia alimentar x Intolerância à lactose

 

A alergia alimentar ao leite de vaca é uma doença que envolve mecanismos imunológicos. Ou seja, o organismo reage às proteínas presentes no leite, desencadeando reações alérgicas variadas. Já a intolerância à lactose é a incapacidade parcial ou completa do intestino de digerir lactose (tipo de açúcar encontrado no leite), pela deficiência ou falta da enzima lactase, levando a diversos sintomas, como diarreia, gases e náuseas. Além de ser encontrada em leite e derivados, outras fontes possíveis de lactose são os adoçantes e algumas medicações.

A intolerância à lactose pode ser causada por problemas genéticos, nos quais as crianças nascem sem a capacidade de produzir a lactase, o que é mais raro. Em situações mais comuns, há uma tendência natural do organismo a diminuir a produção da lactase, que pode ocorrer na adolescência, na vida adulta e na terceira idade. A produção da enzima lactase pode ser afetada por doenças intestinais, como diarreias crônicas, síndrome do intestino irritável e processos inflamatórios.

Ainda de acordo com a supervisora da área de nutrição do hospital Pasteur, Amanda Andrade, a diferenciação entre a intolerância à lactose e a alergia alimentar é importante, pois a orientação dos cuidados nutricionais precisará ser segmentada. “Enquanto na intolerância à lactose, eventualmente, é possível ingerir pequenas quantidades de leite ou de seus derivados, na alergia às proteínas do leite a alimentação não deve conter, de modo algum, leite ou derivados, pois mesmo uma quantidade mínima pode provocar uma reação alérgica intensa”, ressalta Amanda.

Após o diagnóstico confirmado de um dos problemas, a especialista destaca ainda que é imprescindível a avaliação de um nutricionista antes de começar o tratamento. “Às vezes, o problema é uma alergia e pode manifestar-se após a ingestão de uma pequena quantidade do alimento.”

 

Fique atento!

Se você tem alguns desses problemas, fique atento às dicas da especialista:

• O leite de vaca pode ser substituído pelos de soja, arroz, aveia, amêndoas ou fórmulas lácteas, indicadas pelo nutricionista, de acordo com o estado de cada paciente. É importante verificar ainda todos os rótulos dos alimentos, que devem ser lidos com atenção para identificar a presença da proteína do leite, para os casos de alergia, ou da lactose, nas situações de intolerância.

• O leite e seus derivados são boas fontes de cálcio, mas sua presença é rica em outros alimentos, tais como vegetais de folhas verde-escuras (ex.: brócolis e couve), repolho (cozido no vapor), sementes de gergelim, queijo tofu, sardinha, amêndoas, nozes e sementes de abóbora.

• Para os intolerantes à lactose, já existem alguns alimentos no mercado sem o componente, como iogurtes, queijo cottage e até mesmo leite de vaca sem lactose.

A intolerância à lactose e a alergia ao leite podem causar alteração da flora, acarretando o aumento da permeabilidade intestinal, que compromete a absorção de nutrientes e a imunidade. Para restabelecer o equilíbrio da flora intestinal, é recomendada uma suplementação nutricional individualizada.

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