Julho | 2014 Ano V – Edição 61 – 19 de Julho – Dia Nacional do Futebol

Jornal_Novidades_Julho2014_palavrasdaeditoraA escolha da data se deu através da CBD (Confederação Brasileira de Desporto), antecessora da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), para homenagear o primeiro time registrado como clube no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900. O futebol chegou ao Brasil em 1849, através de Charles Miller, que estudou na Inglaterra, e quando voltou ao país trouxe uma bola, uma agulha, uma bomba de encher e um uniforme. Com a divulgação do esporte, este se tornou uma paixão do povo brasileiro, fazendo nosso país chegar ao penta campeonato.

Esta paixão, e sobretudo a realização da Copa no Brasil, merece uma reflexão sociológica e psicológica. Meu conhecimento não chega a essas esferas e apenas me atrevo a levantar questões que compartilho com vocês. Se considerarmos que para as famílias de baixa renda ter um filho jogador de futebol é a única forma de mudar de classe social, posso compreender a paixão pelo futebol. Os salários milionários que os jogadores ganham fogem à minha compreensão. Principalmente se comparo com os salários dos intelectuais do nosso país.

Confesso leitor, que nunca fui muito fã do esporte. Quando criança adorava assistir aos jogos da Copa com o meu pai. As lembranças que tenho são as mais lindas possíveis. Tinha incompletos seis anos na Copa de 70. Acho que foi a única vez que a minha cidade de Valença ficou engarrafada. Todos saíram com seus carros para as ruas buzinando, agitando bandeiras, uma alegria contagiante. Torcer pelo time de 70 era totalmente compreensível. Um timaço! Noutra Copa, meu pai comprou muitos fogos de artifício para comemorar. O time brasileiro não se classificou e meu pai ficou desolado com tantos fogos encalhados. Mas, não se abateu e logo encontrou um motivo mais do que justo para soltá-los: o aniversário das filhas! Independente do Brasil ganhar ou não meu pai era o protagonista da nossa alegria verde-amarela e era isso que importava. Memórias afetivas à parte, meu gosto por futebol não vai além disso.  Até porque o histórico recente de alguns jogadores é uma vergonha policial e péssimo exemplo para as crianças e jovens.

Na penúltima Copa do Mundo já não me empolguei e a minha reflexão já começou ali. É bem verdade que o time brasileiro não era lá essas coisas. Mas, meu pai traduziu a minha irritação pela Copa na África do Sul: “Minha filha, agora você é empresária!”. Era isso mesmo. Tantas “folgas” e funcionários desinteressados para o trabalho nos dias de jogos. Para quem queria trabalhar a Copa no Brasil foi pior ainda. Uma de nossas prestadoras de serviços só trabalha aos domingos. Me deixou muito feliz quando foi trabalhar no Dia das Mães, considerando que ela é mãe e avó. Vi muito profissionalismo nesta atitude. Mas, no dia dois de julho ela já me comunicou que não trabalharia no dia 13, porque era final da Copa e o Brasil estaria na final. Leitor, final de Copa é mais importante que Dia das Mães? Talvez eu não consiga alcançar esta questão por não ser mãe e também não ser fã do esporte. A tal paixão não deixa que passe pela cabeça das pessoas que o Brasil possa perder. Mas, paixão é assim mesmo, as pessoas não raciocinam, vivem intensamente o sentimento.

Lembro-me que numa Copa, na década de 80, eu ainda trabalhava na área técnica numa multinacional e fizeram um bolão. Entrei no bolão de um jogo do Brasil com a Argentina. Ninguém havia apostado contra o Brasil. Então, fiz esta aposta totalmente racional, acho que 1×0 para a Argentina e ganhei o bolão sozinha. Perder faz parte da vida! Na vida existe esta possibilidade e temos que levantar, sacudir a poeira, seguir em frente e aprender com os erros

O lucro do Brasil com os turistas deve ter sido em Copacabana, que virou uma Babel, porque aqui no Méier os comerciantes e prestadores de serviço amargaram um grave prejuízo. O Dia dos Namorados, que é uma data importante para o comércio, foi um fracasso. Só conseguiu vender quem colocou produtos verdes e amarelos nas vitrines. Quem queria trabalhar se sentia um ET. Não tinha patriotismo! Prédios comerciais fechados em dias de jogos! Como isso é possível? Que país é este?

Tiro o chapéu para os japoneses. Com seu silêncio e sabedoria milenar os torcedores recolhendo nosso lixo nos estádios foi um exemplo a ser seguido. Estes sim deveriam inspirar nossos jovens. Um país que foi arrasado pela Segunda Guerra Mundial e bomba atômica. Totalmente reconstruído. E tenha certeza de que esta reconstrução foi com árduo trabalho e não inúmeros feriados e folgas.

Hoje, dia nove, ainda não sabemos quem será o Campeão da Copa no Brasil. Mas, a nossa derrota para a Alemanha foi a vitória da experiência, do equilíbrio, da razão sobre a emoção e a paixão.

 

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