Fevereiro | 2014 Ano V – Edição 56 – Luto pelas vítimas do acidente na Linha Amarela

JornalNovidades_Fev2014_editoriallutoSolange Diniz

Terça-feira, 28 de janeiro acordo com o telefone tocando. Um colega jornalista me informa que uma passarela havia caído em Pilares. Ainda na cama ligo a TV e começo a zapear à procura de alguma informação. As primeiras imagens de helicóptero começam a ser veiculadas. Meu Deus! O acidente foi na Linha Amarela. Dou um pulo da cama. Meu pai e minha irmã passam todos os dias pela Linha Amarela para ir ao trabalho. Corro para o telefone para saber do meu pai. Felizmente ele passou por ali às 6h da manhã e está bem. Minha irmã passou por volta das 6h30min. Alguns segundos depois e mais calma, lembro-me que sou jornalista e tenho que acionar a equipe. Telefono para a jornalista Larissa, que imediatamente fala que seu namorado passa pelo local todos os dias. Ligo para a jornalista Nathalia, que já sabia do ocorrido e já havia ligado para os seus amigos que passam por ali.

Nesta triste terça-feira, muitos moradores da nossa região telefonaram uns para os outros preocupados para saber se seus parentes e amigos estavam bem. A notícia de que havia vítimas no acidente paralisou e mudou a rotina dos moradores da nossa região.

Na faculdade de jornalismo aprendemos que o que ocorre próximo a nós é o que gera maior interesse no leitor. E precisamos nos dirigir para o local para fazer a cobertura. E como ser imparcial neste momento sabendo que as vítimas podem ser amigos, familiares, leitores do nosso jornal Novidades? E se formos até o local e conhecermos as vítimas? Será que conseguiremos escrever sobre brutal acidente com imparcialidade?

Enquanto entro em contato com as nossas fontes do Corpo de Bombeiros, Larissa se dirige para a Linha Amarela e posteriormente para o Hospital Salgado Filho e Nathalia fica a postos no facebook para saber notícias e nomes das vítimas.

Hoje, certamente, tudo que foi publicado sobre o acidente já embrulhou muitos peixes na feira. Mas, cabe a nós, moradores do Grande Méier, relembrar e cobrar das autoridades para que não seja mais um crime no nosso país que fica impune. A certeza da impunidade é tão grande que, no dia seguinte ao acidente, vários caminhões trafegavam pela Linha Amarela em horário proibido. Onde está a fiscalização? Que projeto de passarela é esse que uma batida numa extremidade causa o desmoronamento sobre as duas pistas? Taxistas, que conversaram com a nossa equipe, e não querem ser identificados, contam que os caminhões passam todos os dias pela via em horário proibido e que a caçamba é levantada para que a placa não seja identificada.  Em depoimento à polícia o motorista do caminhão disse estar falando ao celular no momento do acidente. Uma sucessão de erros que acabou em tragédia. É preciso que todos sejam responsabilizados e que a morte de cinco pessoas não caia no esquecimento.

Nós, brasileiros, cidadãos de bem, que pagamos nossos impostos, não aguentamos mais tanto descaso, tanta impunidade, tanta falta de fiscalização e falta de punição no nosso país. Há coisas que eu realmente não entendo no Brasil e acho mesmo que estamos à deriva. O descaso das autoridades é imenso e a corrupção maior ainda.

Alguém consegue me responder como que os bandidos, em presídios de segurança máxima conseguem falar tão bem ao telefone, enquanto eu tenho que ficar procurando sinal no meu apartamento? A operadora Vivo diz que aqui no Méier tem uma zona de sombra! Deve ser isso…

Este ano teremos eleições e vamos todos dar nosso BASTA nas urnas.

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