Abril |2016| ano VII edição 82- 7 DE ABRIL – DIA DO JORNALISTA

7 DE ABRIL – DIA DO JORNALISTA

 

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Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem ao jornalista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia no Brasil. Badaró foi médico e jornalista, fundou o periódico “Observador Constitucional”, onde denunciava os abusos do Império. Foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo. Historiadores acreditam que o movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou D. Pedro I a abdicar ao trono em 1831, no dia sete de abril. Na mesma data também foi fundada a ABI, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos.


Em 2009, por oito votos a um, os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que o Diploma do Jornalismo não era mais obrigatório para exercer a profissão. Na época votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os Ministros: Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. O Ministro Marco Aurélio foi o único que defendeu a necessidade de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão. Os Ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes à sessão.

Tamanho disparate a decisão do STF levou a categoria às ruas para protestar. Retirar a obrigatoriedade do diploma é retroceder. É retirar o direito da sociedade à informação, à democracia. De lá pra cá a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, entidade máxima de representação da categoria no Brasil, tem sido incansável no restabelecimento da obrigatoriedade do diploma e defende a criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ) sendo, portanto, a condutora dessa importante bandeira da categoria.

Enquanto o restabelecimento da exigência do diploma não acontece vamos presenciando sites e páginas no facebook que se intitulam “jornal”. Mas, para ser considerado um jornal pressupõe ter um jornalista responsável, que responda com seu registro por todo o conteúdo publicado; jornalistas que assinem as matérias respondendo pela veracidade das informações com o seu registro profissional; um editor que conduz a linha editorial do jornal. Um jornal é uma empresa constituída, que paga seus impostos. Mas, não é o que acontece nesses sites e páginas de facebook, que se intitulam “jornal”. Eles simplesmente compartilham matérias de outros jornais ou copiam mesmo as matérias. Acham que escrever “Fonte” os dá o direito de cópia. O jornal Novidades já foi vítima de uma dessas cópias de matérias num desses sites. Para fazermos uma cobertura é necessário o deslocamento de pelo menos um jornalista e um fotógrafo. A matéria produzida por estes profissionais vai para o diagramador, que posicionará o a matéria e fotos no jornal, passará ainda pelo revisor e finalmente será enviado para a gráfica para impressão. Foram vários profissionais envolvidos para fazer uma cobertura jornalística. Profissionais que receberam pelos seus trabalhos e geraram custo para a empresa jornalística. E, o “responsável” pelo site simplesmente copiou e colou a nossa matéria e escreveu: “Fonte: JN”. Quem é JN? Jornal Nacional? É preciso ensinar a esses jovens que fonte não é fonte de cópia, mas de consulta. Quando citamos um trecho de qualquer outro profissional, que escreveu uma matéria, citamos o nome dele e de que veículo de comunicação foi extraído o conteúdo. Na nossa linguagem jornalística chamamos de dar o crédito para o profissional jornalista ou fotógrafo. Mas, nesses sites sequer o nome dos jornalistas e fotógrafos são citados. Não respeitam o direito autoral. E, lá vão eles publicando matérias de outros veículos de comunicação e colocando Fonte: Extra, Fonte: G1, Fonte: R7 etc. É esse o futuro do Jornalismo? Jovens que não respeitam sequer seus colegas de profissão? Ninguém assina as matérias e não tem ninguém que se responsabiliza pelo conteúdo publicado? É preciso ensinar ética e Jornalismo de verdade para esses jovens.

Neste contexto um representante destas páginas de Facebook visitou todos os nossos clientes distribuindo uma carta que dizia: “Estamos em 2016 e você ainda não investe na divulgação do seu negócio/atividade no Facebook? Ainda joga dinheiro fora divulgando em mídia impressa (Jornais/Revistas)?” Em primeiro lugar um jornalista respeita todas as mídias: Rádio, TV, Jornal ou Revista. Antes de qualquer título, nós jornalistas, somos formados em Comunicação Social. É comum um jornalista hoje trabalhar num jornal, amanhã em Rádio, TV e por aí vai. Em segundo lugar quero ensiná-lo que existe um público alvo para cada produto que se deseja divulgar. O público alvo de um jornal impresso é diferente do público que se quer atingir nas redes sociais, por exemplo. Gostaria de registrar também que todo o conteúdo da edição impressa do Jornal Novidades também é publicado no site e Facebook do jornal. Atingindo assim públicos diferentes. Mas, nossa equipe Novidades produz suas próprias matérias. Nossa equipe é de profissionais formados e trabalhamos com ética. Não vendemos publicidade apenas fazendo um click em “impulsional publicação” no Facebook.

Vivemos um momento bastante conturbado no nosso país, onde a ética parece ter sido totalmente esquecida. Na luta pelo restabelecimento do Diploma de Jornalismo como obrigatório para o exercício da profissão esperamos que neste dia 7 de Abril a sociedade reflita sobre a importância de um profissional jornalista formado e que haja Lei e fiscalização na internet

Por: Solange Diniz

 

Solange Diniz é jornalista, escritora, poética, dramaturga.
Autora do Livro “Palavras do Coração”,
Obra que deu origem ao espetáculo “Desalinhos do amor”.
Membro de Academias de Letras e Artes do Brasil e do exterior

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