Abril |2016| ano VII edição 82 – A insônia nos idosos

A insônia nos idosos

Por: Dr. Thiago de S. G. Bicalho

Aproximadamente 14% das pessoas no Brasil têm algum transtorno do sono e cerca 50% das pessoas com mais de 65 anos, invariavelmente têm queixas relacionadas ao sono. As queixas de sonolência e fadiga diurna, o aumento de cochilos durante o dia e principalmente a insônia são as mais descritas pelos pacientes e familiares nos consultórios de geriatria quando o assunto é abordado.

12592357_1000413936714393_4479692016354011557_nA insônia é considerada a dificuldade de iniciar ou manter o sono. As apresentações descritas mais comuns são: dificuldade em iniciar o sono, ou a dificuldade em manter o sono, ou mesmo quando apresenta um despertar precoce.

“Nos idosos a apresentação da insônia é variável e muito mais complexa, do que nos jovens, pois normalmente tem a associação de diversos fatores clínicos como: desordens físicas ou mentais, como a depressão, as dificuldades urinárias, doenças articulares, bursites, refluxo gastro-esofágico, dificuldades digestivas com flatulência e doença pulmonar crônica. O uso de medicamentos como: corticóides, anorexígenos (para perda de peso), hormônios tireoidianos e os descongestionantes nasais também causam insônia”, explica Dr. Thiago Bicalho.

O geriatra esclarece ainda que as alterações habituais do dia a dia, principalmente as relacionadas aos processos de envelhecimento, invariavelmente causam a inversão do dia pela noite (acordado a noite e sonolento de dia), caracterizando a eventual sensação ou mesmo, a queixa de cansaço durante o dia que seguida de uma noite mal dormida, pode gerar novos ou mesmo acentuar transtornos musculares e articulares, mediante a falta de acomodação no leito/cama, levando a esforços posturais e posições mal acomodadas durante as noites, comumente diagnosticados nas tendinites, mialgias (dores musculares) e cervicalgias (“torcicolos”).

Quanto maior for o número de doenças clínicas associadas, maior a probabilidade de desenvolvimento de insônia, mas é importante ressaltar que a mesma não é considerada uma doença, mas sim um sintoma. O seu tratamento através de remédios tem como objetivo aliviá-los e reconstruir a qualidade de sono do paciente. Por esta razão, o tratamento é temporário na maioria das vezes.

A implantação de ações como: horário regular para deitar e levantar, manter o quarto com temperatura agradável, evitar ou eliminar ruídos, escurecer o ambiente, realizar refeições mais leves antes de deitar, não é aconselhado tomar líquido imediatamente antes de dormir, evitar bebidas estimulantes (café, chá preto, mate, refrigerantes) após às 17 horas. As bebidas alcoólicas, embora ajudem a relaxar, perturbam a qualidade do sono. Não ler ou ver TV na cama, pois quem tem insônia deve evitar ler e assistir a televisão antes de dormir. O quarto de dormir não deve ser utilizado para trabalhar, estudar ou comer. Estas e outras inúmeras medidas são reconhecidas dentro da área de saúde como atividades de higiene do sono.

Pacientes com insônia tendem a fazer uso indiscriminado de medicações conhecidas como sedativos hipnóticos, como os benzodiazepínicos (“tarja preta”). Essas medicações, quando usadas cronicamente, induzem tolerância e dependência, aumentam o risco de quedas, diminuem a coordenação motora, levam a comprometimento da função mental e até mesmo amnésia, além de não conseguirem resolver o problema de insônia no longo prazo.

“As orientações sobre higiene do sono, oferecidas a todos os nossos pacientes insones, são consideradas estratégias efetivas no processo de intervenção não farmacológica da insônia. Entendemos que a privação do sono interfere de maneira negativa na qualidade de vida dos idosos e que o sucesso na avaliação e no tratamento da insônia depende da busca ativa dessa queixa e do conhecimento e correção de todos”, conclui Dr. Thiago.

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