Agosto | 2019 | Ano X – Edição 122 -A obra do americano Tracy Letts é vencedora dos prêmios Pulitzer de Melhor Drama e Tony de Melhor Texto. A montagem brasileira teve 21 indicações em premiações, sendo vencedora em 7 prêmios.

A obra do americano Tracy Letts é vencedora dos prêmios Pulitzer de Melhor Drama e Tony de Melhor Texto. A montagem brasileira teve 21 indicações em premiações, sendo vencedora em 7 prêmios.

DY

O Centro Cultural João Nogueira – Imperator recebe, até dia 25 de agosto, o premiado espetáculo “AGOSTO”, uma contundente e emocionante história sobre conflitos familiares que emocionou as plateias brasileiras com espetaculares interpretações do seu elenco, em especial das atrizes Guida Vianna e Leticia Isnard. Uma peça sobre o inconfessável, sobre o que fica entalado na garganta e sufoca. A história de uma família desconectada, desfeita, cujos membros insistiram na união o quanto puderam, da forma que puderam, mas que chega finalmente ao limite da desistência. Apesar de se tratar de um texto denso, forte, há certa descontração na peça, uma divertida recusa em levar-se demasiado a sério, uma tendência a nos passar “rasteiras” cômicas justamente nos momentos que achamos que não há mais espaço para o riso. A obra do americano Tracy Letts é vencedora dos prêmios Pulitzer de Melhor Drama e Tony de Melhor Texto. A montagem brasileira, com direção e adaptação de André Paes Leme, teve 21 indicações em premiações, sendo vencedora de sete prêmios. O elenco estelar é composto por Guida Vianna, Letícia Isnard, Alexandre Dantas, Claudia Ventura, Claudio Mendes, Eliane Costa, Guilherme Siman, Isaac Bernat, Isabelle Dionísio, Julia Schaeffer e Marianna Mac Niven. “AGOSTO” é uma realização da Primeira Página Produções.

Ainda que o autor americano Tracy Letts tenha construído todos os personagens da peça com complexidade e grande relevância para a trama, Violet (Guida Vianna) e Bárbara (Letícia Isnard) são as suas protagonistas. As duas são vencedoras de quatro prêmios por suas interpretações em “AGOSTO”. Guida Vianna comenta sua personagem: “Violet é uma mulher que vive numa situação limite, literal e metaforicamente falando. Literal porque faz quimioterapia para um câncer de boca e talvez sua morte esteja anunciada. Metaforicamente, porque sua família está se desmantelando: o marido sumiu, as filhas só esperam o funeral para partir e a ela só restará permanecer sozinha aos cuidados de uma empregada que ela não conhece. Barbara é a fi lha preferida porque Violet a julga a mais inteligente e a mais parecida com ela. Os temperamentos parecidos levam as duas a embates frequentes. Violet guarda profunda mágoa de Barbara porque ela não voltou pra casa quando soube do seu câncer, mas voltou quando o pai desapareceu. A peça conta uma história familiar na extensão de seus conflitos e de seus afetos. E essa família pode servir como espelho reflexivo para qualquer indivíduo”, declara.

Leticia Isnard também comenta sobre sua personagem: “Barbara é uma mulher forte, que está num momento de total desestabilização. Seu casamento está ruindo, vive em crescente conflito com a fi lha adolescente, está há muito afastada das irmãs, do pai e bate de frente com sua mãe, Violet. Ela luta para não ter o mesmo destino da mãe: a solidão, consequente de uma personalidade forte, acachapante e agressiva. a tendência de Barbara é ficar igualzinha à Violet. E, romper com esse ciclo de infelicidade e violência é também um ato de amor”, conta Letícia.

O diretor André Paes Leme divide o palco nos cômodos da casa para uma “múltipla espacialidade” que vai exigir uma visão ativa do espectador. “O primeiro cuidado que tive com a adaptação foi suavizar o contexto Norteamericano da peça. O segundo foi em relação ao realismo acentuado proposto pelo autor. Priorizei as situações de conflito e busquei não valorizar o detalhe, a construção do ambiente de cada cena. Me interessa a complexidade das relações familiares, a intensidade com que depositamos no núcleo familiar tanto um amor inquestionável como também despejamos as angústias e inseguranças das nossas vidas. Textos como esse revelam o quanto imprevisível é o comportamento humano”, explica o diretor.

A montagem divide o palco nos cômodos da casa em que se passa a história. A ação passeia por todos os cômodos e a proposta do autor é que o espectador possa ver simultaneamente todos os ambientes. Na nossa concepção, as cenas são sobrepostas: a personagem que está num determinado ambiente estará exatamente ao lado de outra que ocupa outra área da casa. Gradativamente, as diferentes cenas vão convivendo no palco.

Se o destino das personagens é inevitavelmente trágico, isso não faz de “AGOSTO” uma tragédia. Tracy Letts usa recursos do melodrama, da comédia de costumes, das sitcoms da televisão norte-americana e do vaudeville, mantendo a unidade formal, a coerência interna e estética da sua obra. Tracy Letts é um dos mais importantes autores do teatro contemporâneo dos Estados Unidos.

“AGOSTO”
Temporada: até 25 de agosto
Sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h

Imperator
Centro Cultural João Nogueira
R. Dias da Cruz 170 – Méier
Tel: 2597.3897

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