Agosto | 2017 | Ano VIII – Edição 98 – FELIZ DIA DOS PAIS!

FELIZ DIA DOS PAIS!

WhatsApp Image 2017-07-23 at 10.37.12

Na faculdade de Jornalismo aprendemos a escrever com o máximo de imparcialidade. Tarefa realmente difícil quando precisamos escrever sobre o dia dos pais sem me espelhar no meu pai. Talvez a imparcialidade, em alguns casos, seja mesmo uma utopia no Jornalismo.

Escrever sem me remeter àquele que me ensinou a andar de bicicleta, ficou comigo madrugadas afora quando tinha dor de ouvido, me deu o primeiro buquê de rosas e também teve ciúme do meu primeiro namorado, seria muito difícil.

Tivemos momentos hilários e inusitados. Quando comecei a dirigir e me sentia ainda insegura para enfrentar o trânsito carioca, meu pai ia me seguindo com o seu carro (isso mesmo, atrás do meu!) até o trabalho para que eu perdesse o medo. Imaginem dois carros indo para o mesmo lugar! Coisas que só os pais são capazes de fazer pelas filhas. Quando morávamos em Valença e o pai começou a trabalhar no Rio era uma choradeira quando ele partia. Mas, a volta para casa era uma imensa alegria. Meus irmãos e eu esperávamos ansiosos a sua volta com os presentes que comprava na cidade grande. Lembro- -me quando chegou com o nosso primeiro relógio Mondaine. Aqueles presentes eram a sua forma única de compensar a sua ausência.

Tantas lembranças doces da infância. Doces como o cheiro da cana-de-açúcar que cortava em gomos para saborearmos na roça. Gostaria que todas as Copas do Mundo fossem de vitórias só para ver a alegria e a vibração do pai. Matemático, fazia contas mirabolantes de probabilidades para ver quem iria ganhar a Copa. Mas, o coraçãozinho era tão verde e amarelo que sempre dava Brasil na matemática do pai. Numa Copa do Mundo, que já não me recordo mais em que ano foi, o Brasil foi eliminado e o pai ficou desolado com tantos fogos de artifício que comprara para comemorar. Porém, rapidamente encontrou um motivo mais que justificável para usá-los: o aniversário das filhas. Em que Copa foi não importa, pois, o meu pai era o protagonista da minha festa verde e amarela. O pai também adoraria saber brincar de bonecas. Mas, ele não imagina como ficávamos felizes quando brincávamos de “bravinho e bravão”. É… Uma brincadeira inventada pelo pai para brincar com as filhas. Brincar com meninas era um terreno muito novo para ele.

Quanta saudade desses momentos insubstituíveis e de tantos outros que devoram meu coração de filha. Por que crescemos e ficamos tão independentes se na verdade o que queremos é o colo do pai? A vida por vezes afastou pai e filha, mas a cada reencontro nossos laços se fortalecem e aprendemos a aproveitar ao máximo os nossos momentos. Sempre vibrando com as minhas vitórias e sofrendo com as minhas derrotas, mas me encorajando a enfrentar os obstáculos, levantar a cabeça e sempre seguir em frente rumo aos meus objetivos. Muitas vezes acreditando em mim mais que eu mesma.

Meu pai sempre foi meu porto seguro, meu melhor amigo. Há muito uma campanha publicitária dizia: “Não basta ser pai, tem que participar”. É este pai atuante e participante que queremos homenagear. O pai que educa, orienta e forma indivíduos capazes de mudar para melhor a sociedade em que vivemos. Neste dia dos pais, abraço todos os pais que se fazem presentes na vida de seus filhos, com o mesmo carinho que dedico ao meu querido pai, Geraldo Gonçalves Filgueiras.

Solange Diniz é Jornalista, escritora e poetisa.
Autora do Livro ‘‘Palavras do Coração’’,
obra que deu origem ao espetáculo de teatro ‘‘Desalinhos do Amor’’.
Membro de Academias de letras e Artes do Brasil e do Exterior

Leave a Reply

You can use these HTML tags

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>