Agosto|2016| ano VII edição 86 – FELIZ DIA DOS PAIS


FELIZ DIA DOS PAIS

DIA DOS PAISNa faculdade de jornalismo aprendemos a escrever com o máximo de imparcialidade. Tarefa realmente difícil quando precisamos escrever sobre o Dia dos Pais sem me espelhar no meu pai. Talvez a imparcialidade, em alguns casos, seja mesmo uma utopia no Jornalismo.

Escrever sem me remeter aquele que me ensinou a andar de bicicleta, ficou comigo madrugadas afora quando tinha dor de ouvido, me deu o primeiro boquê de rosas e também teve ciúme do meu primeiro namorado, seria muito difícil.

Tivemos momentos hilários e inusitados. Quando comecei a dirigir e me sentia ainda “insegura” para enfrentar o trânsito carioca, meu pai ia me seguindo com seu carro (isso mesmo, atrás do meu!) até o trabalho para que eu perdesse o medo. Imagine dois carros indo para o mesmo lugar! Coisas que só os pais são capazes de fazer pelas filhas. Quando morávamos em Valença e o pai começou a trabalhar no Rio era uma choradeira quando ele partia. Mas, a volta era uma imensa alegria. Eu e meus irmãos esperávamos ansiosos sentados na beirada da calçada a sua volta com os presentes que comprava  na cidade grande. Lembro-me quando chegou com o nosso primeiro relógio Modaine. Aqueles presentes eram a sua forma única de compensar a sua ausência.

Tantas lembranças. Doces como cheiro da cana-de-açúcar que cortava em gomos para saborearmos na roça. Gostaria que todas as Copas do Mundo fossem de vitórias só para ver a alegria e a vibração do pai. Matemático, sempre fazia contas mirabolantes de probabilidades para ver quem iria ganhar a Copa. Mas, o coraçãozinho é tão verde e amarelo que sempre dava Brasil na matemática do pai. Numa Copa do Mundo, que já não me recordo mais que ano foi, o Brasil foi eliminado e o pai ficou desolado com tantos fogos de artifícios que comprara. Mas, rapidamente encontrou um motivo mais que justificável  para usá-los: o aniversário das filhas. Em que Copa foi não importa, o meu pai era o protagonista da minha festa verde e amarela. O pai também adoraria saber brincar de bonecas. Mas, ele não imagina como ficávamos felizes quando brincávamos de “bravinho e bravão”. É… Uma brincadeira inventada pelo pai para brincar com as filhas. Meninas era um terreno muito novo para ele.

Quanta saudade desses momentos insubstituíveis e de tantos outros que devoram meu coração de filha. Por que crescemos e ficamos tão independentes se na verdade o que queremos é sempre o colo do pai? A vida por vezes afastou pai e filha, mas a cada reencontro nossos laços se fortalecem e aprendemos a aproveitar ao máximo os nossos momentos. Sempre vibrando com as minhas vitorias e sofrendo com as minhas derrotas, mas me encorajando a enfrentar os obstáculos, levantar a cabeça e sempre seguir em frente rumo aos meus objetivos. Meu pai, professor e engenheiro, desde muito cedo nos incentivou nos estudos e nos ensinou a importância de muitos valores como humildade e fraternidade.

Meu pai sempre foi meu porto seguro, meu melhor amigo. Há muito uma campanha publicitária dizia: “Não basta ser pai, tem que participar”. É este pai atuante e participante que queremos homenagear. O pai que educa, orienta e forma indivíduos capazes de mudar para melhor a sociedade em que vivemos. Neste dia dos pais, abraço a todos os pais que se fazem presentes na vida de  seus filhos, com o mesmo carinho que dedico ao meu querido pai, Geraldo Gonçalves Filgueiras.

Solange Diniz é jornalista, escritora, poética, dramaturga.
Autora do Livro “Palavras do Coração”,
Obra que deu origem ao espetáculo “Desalinhos do amor”.
Membro de Academias de Letras e Artes do Brasil e do exterior

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