Abril | 2017 | Ano VIII – Edição 94 – “A Persistência da Memória”

 “A Persistência da Memória”

Foto Luiz Otavio Oliani

Luiz Otávio Oliani

Capa Oliani A PERSISTENCIA DA MEMORIA

A Persistencia da Memoria

Luiz Otávio Oliani buscou, na pintura, a inspiração de que precisava para o oitavo livro de poemas. Com capa de Marcelle Fagundes, em releitura original do quadro mais famoso de Salvador Dalí, “A persistência da memória” realiza-se um diálogo entre literatura e artes plásticas. O livro é dividido em 50 poemas interligados que conversam entre si, todos sem títulos e marcados apenas por algarismos romanos, o que já remeteria, por si só, a um relógio antigo a registrar as relações entre o tempo e a memória.

A partir desta temática, já explorada em outros livros por Oliani, que o primeiro poema da obra se encerra com palavras ou referências/ideias reproduzidas no segundo poema e, assim, sucessivamente, transitando o trabalho num jogo literário verbal, com questionamentos de cunho filosófico-existencial. O autor propõe um reexame de tópicos contemporâneos, com reflexões acerca do homem imerso numa época e num espaço deteriorados.

Temas como o amor, a morte, a solidão, a fluidez das horas, a crítica social, tudo surge em “A Persistência da Memória” como um grito dado pelo poeta ao clamar, a olhos vistos, para uma pausa a fim de que os leitores reflitam sobre o mundo em que vivem, com vistas à busca de um ponto de equilí­ brio tão necessário à plenitude. Na orelha da obra, Leila Míccolis destacou o impacto do óleo sobre tela, de Dalí, no autor, enfatizando que não há como passar imune à pintura: “Ninguém, especialmente se for um poeta.”

Ao basear-se neste tempo-espaço filosófico, transcendental, Oliani esvazia a urgência de um ritmo de vida inadiável, apressado e imediatista, propondo uma importante reflexão sobre o nosso tempo, presenciado por uma sociedade sôfrega, inquieta, ansiosa, estressada, frenética, cujo carpe diem parece insistir em querer apagar as bases culturais sobre as quais ela foi construída. Porém, ao final, o autor deixa uma pergunta no ar: e sem a memória… “O que fica? O que fica?”.

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