Abril | 2017 | Ano VIII – Edição 94 – 7 DE ABRIL – DIA NACIONAL DO JORNALISTA

7 DE ABRIL – DIA NACIONAL DO JORNALISTA

Sem títuloO Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) como uma homenagem ao jornalista Libero Badaró, uma importante personalidade na luta pelo fim da monarquia no Brasil. Badaró foi médico e jornalista, fundador do periódico “Observador Constitucional”, em que denunciava os abusos do Império.

Ele foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo. Historiadores acreditam que o movimento popular que se gerou por causa de sua morte levou D. Pedro I a abdicar ao trono em 1831, no dia sete de abril. Em 1908, na mesma data, também foi fundada a ABI, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos.

Em 2009, por oito votos a um, os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que o Diploma para o exercício do Jornalismo não seria mais obrigatório. Na época votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os Ministros: Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. O Ministro Marco Aurélio foi o único que defendeu a necessidade de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão.

Devido ao tamanho disparate na decisão do STF levou a categoria às ruas para protestar, pois retirar a obrigatoriedade do diploma é retroceder. É remover o direito da sociedade à informação e à democracia. Desde 2009, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, entidade máxima de representação da categoria no Brasil, tem sido incansável no retorno da obrigatoriedade do diploma e defende a criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ). Enquanto o restabelecimento da exigência do diploma não acontece vamos presenciando muitas aberrações, dentre as quais, jornais e revistas sem um jornalista responsável, sites e páginas no facebook que se auto intitulam “jornal”.

Para ser considerado um jornal pressupõe ter: um jornalista responsável que responda com seu registro por todo o conteúdo publicado; jornalistas que assinem as matérias respondendo pela veracidade das informações com o seu registro profissional e um editor que conduz a linha editorial da publicação. Um jornal é uma empresa constituída que paga seus impostos. Mas, não é isso que acontece nesses sites e páginas de facebook.

Eles simplesmente compartilham matérias de outros jornais ou mesmo as copiam. Acham que escrever “Fonte” os dá o direito de cópia. Os profissionais do jornal Novidades já foram vítimas desses pseudos jornais e já teve várias matérias e anúncios copiados. Para fazermos a cobertura de um evento, por exemplo, é necessário o deslocamento de pelo menos um jornalista e um fotógrafo.

A matéria produzida por estes dois profissionais vai para diagramador, responsável pela montagem do jornal. Passará ainda pelo revisor e finalmente para a aprovação do editor. Só então o jornal revisado e aprovado pelo editor vai para impressão. São vários profissionais envolvidos para fazer uma única cobertura jornalística.

É preciso ensinar a esses jovens que “fonte” não é fonte de cópia, mas de consulta. Quando citamos um trecho de qualquer outro profissional, que escreve um texto, é indicado o seu nome e de que veículo de comunicação foi extraído o conteúdo.

Na nossa linguagem jornalística chamamos de “dar o crédito para o profissional” seja jornalista ou fotógrafo. Entretanto, nesses sites sequer o nome dos responsáveis são citados. Não há qualquer respeito pelo direito autoral. E, lá vão eles publicando matérias de outros veículos de comunicação e colocando Fonte: Extra, Fonte: G1, Fonte: R7 etc.

É esse o futuro do Jornalismo? Jovens que não respeitam sequer seus colegas de profissão? Ninguém assina as matérias e não tem ninguém para se responsabilizar pelo conteúdo publicado? Qual credibilidade a sociedade pode esperar desses jornalistas? É preciso ensinar ética e Jornalismo de verdade para eles ou teremos cada vez mais o empobrecimento da profissão. Vivemos um momento bastante conturbado no nosso país, na qual, a ética parece ter sido totalmente esquecida.

Na luta pelo restabelecimento do Diploma de Jornalismo como obrigatório para o exercício da profissão esperamos que neste dia 7 de Abril a sociedade reflita sobre a importância de um profissional formado e que os juristas do nosso país olhem cada vez mais para as Leis e a fiscalização na internet.

Solange Diniz é Jornalista, escritora e poetisa.
Autora do Livro ‘‘Palavras do Coração’’,
obra que deu origem ao espetáculo de teatro ‘‘Desalinhos do Amor’’.
Membro de Academias de letras e Artes do Brasil e do Exterior

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