Abril | 2013 – Ano IV – Edição 46 – Editorial – 7 de Abril – Dia do Jornalista

Campanha em Defesa da Profissão de Jornalista

Campanha em Defesa da Profissão de Jornalista

Solange Diniz

JORNALISTAS ASSASSINADOS EM 2012 – Brasil fica em quarto lugar

Para comemorar a data, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, lançou o relatório “Perfil do jornalista Brasileiro”. Foi a primeira vez que se realizou uma pesquisa com jornalistas no país. O relatório aponta a significativa expansão das mulheres atuando no Jornalismo, mas os homens ainda ocupam predominantemente os cargos de chefia. As mulheres representam 64% do universo dos profissionais que estão em atividade. Quase todos os jornalistas, que atuam no Brasil, têm formação superior (98%), embora o diploma não seja exigido desde 2009. A pesquisa aponta ainda que aproximadamente 50% dos profissionais trabalham mais de oito horas por dia e 27% em mais de um emprego.

Outro dado relevante da pesquisa é que três quartos da categoria são favoráveis à criação do Conselho Federal dos Jornalistas, menos de dois em cada 10, que atuam na mídia, são contra. Infelizmente, hoje no Brasil a profissão é muito pouco valorizada, principalmente por causa da desastrosa decisão do Supremo Tribunal Federal pela não exigência do diploma para o exercício do jornalismo. Valorizar o trabalho do jornalista é valorizar o direito da sociedade à informação.

A data não é só de comemoração, mas de luto, pela violência contra jornalistas no Brasil, engrossando os dados dos relatórios internacionais. Casos como a agressão de autoridades do governo de Araraquara (SP), que impediram à força, que um jornalista participasse de uma entrevista coletiva; o assassinato do jornalista e radialista Rodrigo Neto, em Ipatinga (MG); o assassinato do radialista Renato Machado, da Rádio Barra FM, de São João da Barra (RJ); são alguns exemplos desta realidade. Em 2012, onze profissionais da comunicação foram assassinados. A ONG Suíça “Campanha por um Emblema de Imprensa” divulgou dados onde o Brasil aparece como um dos quatro países com maior índice de mortalidade de jornalistas. Contando apenas países que não estão em guerra e que vivem regimes de democracia, o Brasil seria o segundo mais violento do mundo. Um número maior de jornalistas morreu no Brasil, que no Iraque e Afeganistão juntos. Para a entidade, o que surpreende no caso brasileiro é o fato de que o país é uma democracia e não está em guerra.

Os assassinatos, agressões e ameaças aos jornalistas são também crimes contra a liberdade de expressão, ao direito à informação e à democracia. Calar um jornalista é privar todos os cidadãos à informação. Esta deve ser uma luta de toda a sociedade e não apenas da categoria.

Fonte: Fenaj e Estadão

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