Junho | 2017 | Ano VIII – Edição 96 – O Sol e o Pássaro

No mês dos namorados dedico a prosa poética “O Sol e o Pássaro” a todos os leitores que ainda acreditam no amor

15178282_1106618389455229_5749968354775782936_nO Sol e o Pássaro

O Sol e o Pássaro O Sol e o Pássaro encontraram-se, encantaram-se, admiraram-se e apaixonaram-se.

O Pássaro achou que o Astro Rei fosse inatingível e o Sol teve medo do modo livre de viver do Pássaro.

Mas, quando o Sol se apagava e a noite caía o Pássaro ficava triste, cheio de melancolia.

O Pássaro conquistou o Sol com seu canto matutino, com suas piruetas no ar e seu jeito de amar.

O Sol, como uma nota musical, fazia o pobre coração do Pássaro disparar de alegria e todos os dias passaram a ser iluminados para o triste Pássaro.

O Sol era despertado com o canto doce e amável do Pássaro, que o encantava mais e mais a cada dia.

Nenhuma missão para o Pássaro passou a ser mais importante que alcançar o coração do Sol.

O Sol não resistiu aos encantos do Pássaro, que o elogiava e o idolatrava a todo instante com suas serenatas e declarações ao belo dia.

O Pássaro observava, admirava a beleza e a exuberância do Sol.

O Sol temia a chegada da noite, quando não poderia mais contemplar o voo e o canto suave do Pássaro.

Quando a noite caía o Pássaro ansiava que chegasse logo um novo dia e o raio de luz do maravilhoso Sol voltasse a iluminar a sua vida.

O Pássaro se confessou apaixonado e revelou todo seu amor ao seu Raio de Luz.

Quando o Sol se apagava o Pássaro levava o calor daquele dia no seu pensamento e no seu coração.

O Pássaro fazia de tudo para manter aquela chama acesa.

O que fosse possível: voar para alcançar as estrelas ou mergulhar no oceano mais profundo.

Mas, aquele amor parecia platônico e impossível.

Seus mundos eram tão diferentes, incompatíveis.

Mas, de amor o Sol ardia, enquanto o Pássaro traçava o céu errante para lhe dar bom dia.

O Sol passou a ser o maior tesouro para o Pássaro, seu anjo, sua vida.

O brilho do Sol, entretanto, ofuscava o pobre Pássaro que se retraía.

Mas, imediatamente se enchia de coragem porque queria ser feliz.

O Pássaro tentava voar bem alto, mas não conseguia alcançar o Sol e nem olhar para o Sol podia.

O Sol mesmo com seus poderosos e calorosos raios não podia tocar o Pássaro e perceberam que o que sentiam era utopia, apenas fantasia.

O Sol então continuou belo, imponente, porém sozinho.

O Pássaro mesmo temendo que o seu Raio de Luz não iluminasse mais os seus dias resolveu seguir seu caminho, distante e frio.

Mas, guardaram para sempre o encanto, a magia e a lembrança daqueles iluminados dias.

Solange Diniz Filgueiras

Solange Diniz é Jornalista, escritora e poetisa.
Autora do Livro ‘‘Palavras do Coração’’,
obra que deu origem ao espetáculo de teatro ‘‘Desalinhos do Amor’’.
Membro de Academias de letras e Artes do Brasil e do Exterior

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